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Outubro 31, 2003
E hoje, 31 de outubro de 2003, às 18h., deu-se a largada da 49a. Feira do Livro em Porto Alegre!!
A chuva esperou, por sorte, e a festa do livro, das pessoas, da praça da Alândega está oficialmente inaugurada...
Sob o olhar doce e a pena aguda de Mário Quintana, as bênçãos da imaginação, da criatividade, da pesquisa, da beleza, do crescimento, da socialização, do show que a vida é, começam a ser a ser distribuídas entre todos aqueles que quiserem se chegar
Aqui debaixo, fragmento de poema de Paulo Bentancour, escritor, crítico e coordenador do Livro e Literatura da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre:
"Se a praça é do povo
que venham todos: o livro,
usado e novo, os autores
e sua voz austera. Se a praça
vê brotar das nuvens
sol cruel e chuva rude
o papel (que não se ilude)
se socorre sob as lonas." (...)
postado por Majô às 8:46 PM
Outubro 29, 2003
Pois é Querida Vida, hoje eu tava ruminando minha "entrada na velhice" , quando resolvi dar uma "fresqueada por aí" , pra ver se trocava a pilha e conseqüentemente o sulco... E entrei no Teste do Esmalte aí, da TPM... Socorro!!!!
Não é que descobri que além de COROA sou VICIADINHA em esmalte????(ainda estou resolvendo se o diminutivo me deixa mais contentinha ou mais tristinha...Logo eu que detesto diminutivos!!!!!!!)
PODE, COISA MAIS POBRE?????
É verdade que curto uma unha bem feita, que sou capaz de misturar 3 ou 4 esmaltes diferentes (dos estrangeiros ao velho e conhecido Colorama) atrás de um tom de vermelho exato, combinando com a minha personalidade vibrante...
Mas daí a ser "viciadinha"... NÃO,NÃO e NÃO!!!!!
Embora minhas unhas sejam uma marca registrada, e já tenham me propiciado... huuuummmmm... (e a alguns fetichistas...) momentos do mais puro êxtase, me nego a ser Viciadinha em qualquer coisa!!!!
Bom, em resumo, tô ficando velha e "viciadinha em besteira", muito classe média pro meu gosto...
Ai Deus, ai Deus... O que mais pode me reservar o futuro????
Faz o teste aí, vai, não me deixa só nesta carência absoluta, neste deserto de brilho e glamour em que se transformou minha vida...
Ai... te deixo, rapidinho, acabei de entornar meu vidro de acetona sobre o teclado, enquanto digitava este post...
Beijinho Majô

postado por Majô às 10:00 PM
Outubro 28, 2003

postado por Majô às 9:33 PM
Pois é Querida Vida, estava eu na minha fase poética absoluta, amando como sempre aliás, o Quintana, o Benedetti, o Bandeira, e outros mis pelos brasis e alhures... quando meu filho adolescente veio me tirar do enlevo!
Pois não é que, coroa e tudo, tenho um filho "tipo assim" 14 anos????? Superpreocupado com o cabelo, porque parece que (hoje foi cortar a juba...), já estava acostumado com aquela mata amazônica, e mesmo que atrapalhasse um pouco na leitura, no esporte, e até pra dormir, disse-me: "fiquei sentindo falta, tipo assim, balançar a cabeça e sentir aquela coisa, balançando ao vento" !!!
Acho que é a sensação da liberdade. Deve ser, eu já não me lembro como é que a gente se sente LIVRE!!!!! Mas deve ter alguma coisa a ver com balançar cabeças ao vento, sentir-se poderoso por ter um matagal tipo assim Sansão, manja aquele carinha da mitologia cuja mulher, a Dalila, "decepou-lhe" as madeixas (e ainda bem que foram as madeixas...) e com isso foi-se também a força!
Tá, você sorrirá com certo sarcasmo, isso porque não tem um filho adolescente, e não tem a minha idade!!!!
Olha a preocupação dele, você dirá, cabelo a mais ou a menos, que aliás cresce!!! Pois é, o pior é que é a mesma coisa que eu digo, mas é uma questão de códigos, entendeu Querida Vida?? Ele e eu, temos códigos diferentes.
E aí que eu me toquei: tô ficando velha!!!! Saí rapidinho da poesia, e por arte de magia, achei esta crônica de um grande entre os grandes: Luis Fernando Veríssimo. Que, como se não bastasse a aguda inteligência e o senso de observação fora do comum, ainda é conterrâneo, daqui de Porto Alegre mesmo!!! Então, vamos na linha da "homenagem à gauchada".
Deixa eu ir catar minhas rugas e arrumar um dicionário da estação adolescência, que não quero ter que conseguir tradutor simultâneo... Majô
<b>TIPO ASSIM - Luis Fernando Veríssimo
Tô ficando velho!
Um dia desses, às 2 da manhã, peguei o carro e fui buscar minha filha adolescente na saída do show do Charlie Brown Jr. Ela e as amigas estavam eufóricas e eu ali, meio dormindo, meio de pijama, tentei entrar na conversa. "E aí, o show foi legal?" A resposta veio de uma mais exaltada do banco de trás: "Cara! Tipo assim, foda!". E outra emendou: "Tipo foda mesmo!"
Fiquei tipo assim calado o resto do percurso, cumprindo minha função de motorista. Tô precisando conversar um pouco mais com minha filha, senão daqui a pouco vamos precisar de tradução simultânea.
Pra piorar ainda mais, inventaram o ICQ, essa praga da Internet onde elas ficam horas e horas escrevendo abobrinhas umas pras outras, em código secreto.
Tipo assim "kct! vc tmb nunk tah trank, kra. Eh d+, sl. T+ Bjoks. Jubys". Em português: "Cacete! Você também nunca está tranqüila, cara. É demais, sei lá. Até mais, beijocas. Jubys".
Jubys, que deve ser pronunciado "diúbis", é isso mesmo que você está imaginando, a assinatura. Só que o nome de batismo é Júlia, um nome bonito, cujo significado é "cheia de juventude", que eu e minha mulher escolhemos, sentados na varanda, olhando a lua...
Pois Jubys é hoje essa personagem de cabelo cor de abóbora, cheia de furos na orelha que quer encher o corpo de piercings e tatuagens, para ficar tipo assim um cruzamento entre um boneco de voodoo e um vaso chinês.
Tô ficando velho!
Outro dia tentei explicar pro mesmo bando de adolescentes o que era uma máquina de escrever. Nunca viram uma. A melhor definição que consegui foi "é tipo assim um computador que vai imprimindo enquanto você digita". Acho que não entenderam nada.
Eu sou do tempo do mimeógrafo. Pra quem não sabe, é uma máquina que você coloca álcool e dá manivela pra imprimir o que está na folha matriz. Por sua vez, essa matriz precisa ser datilografada (ver "datilografia" no dicionário) na tal máquina de escrever, sem a fita (o que faz com que você só descubra os erros depois do trabalho feito), com o papel carbono invertido... Enfim, procure na Internet que deve haver algum site sobre mimeógrafo, papel carbono, essas coisas.
Se eu ficar explicando cada vocábulo descontinuado, não vou conseguir acompanhar meu próprio raciocínio.
Voltando às garotas, a cultura cinematográfica delas varia entre a "obra" de Brad Pitt e a de Leonardo de Caprio. Há anos tento convencê-las a ver "Cantando na Chuva", mas sempre fica para depois. Um dia, cheguei entusiasmado em casa com a fita de um filme francês que marcou minha infância: "A guerra dos botões". Juntei toda a família para a exibição solene e a coisa não durou nem 5 minutos. O guri foi jogar bola, Jubys inventou "um trabalho de história sobre a civilização greco-romana que tem que entregar tipo assim até amanhã senão perde ponto" e até minha mulher, de quem eu esperava um mínimo de solidariedade, se lembrou que tinha um compromisso com hora marcada e se mandou.
Fiquei ali, assistindo sozinho e lembrando do tempo em que eu trocava gibi na porta do Capitólio.
Uma amiga me contou que o filho de 10 anos ficou espantado quando viu um telefone de discar. Sabe telefone de discar? É tipo assim um aparelho sem teclas, geralmente preto, com um disco no meio, todo furado, onde cada furo corresponde a um algarismo. Você enfia o dedo indicador no buraco correspondente ao número que precisa registrar, gira o negócio até uma meia lua de metal e solta a roleta, que lá por dentro está presa a uma mola e faz ela voltar à sua posição inicial.
Esse aparelho serve para conversar com outra pessoa como qualquer telefone comum, desde que esteja, é claro, conectado na parede.
Eu sou do tempo em que vidro de carro fechava com maçaneta. E o Fusca tinha estribo e quebra vento.
Não espalha, mas eu andei de Simca Chambord, de DKW, Gordini, Aero Willis e até de Romiseta. Não dá pra explicar aqui o que era uma Romiseta, só vou dizer que era tipo assim um veículo automotivo, com 3 rodas, que a gente entrava pela frente e a direção era grudada na porta. Procure na Internet, deve haver um site.
Tá bom, tá bom, confesso mais. Usei Camisa Volta ao Mundo, casaquinho de Banlon, assisti à Jovem Guarda, o Direito de Nascer... mas é mentira essa história de que meu primeiro disco gravado foi em 78 rotações.
Há pouco tempo, João, meu filho de 8 anos, pegou um LP e ficou fascinado.
Botei pra tocar e mostrei a agulha rodando dentro do sulco do vinil. Expliquei que aquele atrito gerava o som que estávamos escutando... mas aí ele já estava jogando o Pokemon Stadium no Game Boy. Não é que ele seja desinteressado, eu é que fiquei patinando nos detalhes.
Ele até que é bastante curioso e adora ouvir as "histórias do tempo em que eu era criança". Quando contei que a TV, naquela época, era toda em preto e branco ele "viajou" na idéia de que o mundo todo era em preto e branco e só de uns tempos para cá é que as coisas começaram a ganhar cores. Acho que de certa forma ele tem razão. Tipo assim
postado por Majô às 8:53 PM
Outubro 27, 2003

postado por Majô às 3:41 PM
Oi Querida Vida, minha teoria, que, pelo jeito e as vozes que o confirmam, estava certa, de que Quintana será infinito enquanto durar... e durará muito, se vê aqui reafirmada pela voz nada menos que, do autor de Vou-me embora pra Pasárgada...
Como de Bandeira, Quintana, Bendetti ( e me aguardem com Drummond, Guimarães Rosa, e quantos mais meu coração escolher) é que falava nestes últimos posts, aqui vai este achado da literatura.
Ser ou não ser imortal, eis a questão!Com meu melhor beijo, Majô
Poema dedicado a Mario Quintana por Manuel Bandeira
Foi lido pelo autor na sessão da Academia Brasileira de Letras, no dia 25 de agosto de 1966
A Mario Quintana
Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares
Quinta essência de cantares...
Insólitos, singulares...
Cantares? Não! Quintanares!
Quer livres, quer regulares,
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares.
São cantigas sem esgares,
Onde as lágrimas são mares
De amor, os teus quintanares.
São feitos esses cantares
De um tudo-nada: ao falares,
Luzem estrelas e luares.
São para dizer em bares
Como em mansões seculares,
Quintana, os teus quintanares
Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares
E quer no pudor dos lares,
Quer no horror dos lupanares,
Cheiram sempre os teus cantares
Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares,
Quintana, os teus quintanares.
Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares...
Perdão! digo quintanares.
postado por Majô às 3:38 PM
Outubro 26, 2003
Oi Querida Vida, bom dia!! Ou boa tarde, já almocei! Posso me considerar privilegiada...
Na verdade, deveria dizer BOM QUINTANA! Maravilhoso Quintana, infantil, maduro, meigo, brincalhão, poeta Quintana.
Hoje, domingo 26 de outubro de 2003, resolvi por essas coisas da identificação dedicar o dia ao Mário Quintana.
Eu sei que isso não importa, na ordem das coisas "importantes" . Não é como ser imortal, pertencer a esta ou àquela academia, ser ou não ser eis a questão...
Mas, pra mim, e pra muitas pessoas como eu, como diria Vinícius " que não seja imortal, posto que é chama...mas que seja infinito enquanto dure" ... E com certeza, a imagem e a obra de um Mário Quintana, será infinita e durará muuuuuiiiiitttttoooo... em cabeça e coração!
Um beijo, e bom DOMINGO! Majô
postado por Majô às 1:04 PM

postado por Majô às 12:58 PM
Poeminha do Contra
Mário Quintana
Todos esses que aí estão
atravancando meu caminho,
eles passarão...
eu passarinho!
postado por Majô às 12:56 PM
Outubro 24, 2003
SEM COMENTÁRIOS...
Euzinha
postado por Majô às 7:42 PM
Oi Querida Vida, hoje estava disposta a ser mais, digamos, "boazinha" com todo mundo. Nisso, me chegou às mãos este pequeno (nem tanto) artigo do Jabor. Tirando algumas diferenças que temos, tenho que reconhecer que o cara tem peito. Que ele bota pra quebrar, e diz (pra minha enorme inveja) o que quer dizer, sem papas na língua, nem outra banda qualquer...
O pior (ou talvez seja o melhor...), é que sempre existe alguém que diz o que eu penso, e muito melhor do que eu diria.
Minha grande qualidade, é a de ser extremamente seletiva, e ter um fino faro pra descobrir os "meus semelhantes" ... Desculpem a falta de modéstia!
Um beijo, e boa leitura, que afinal, ninguém é de ferro, e nem só de "ver figurinhas" se faz a vida!!! Majô
As celebridades fervem no caldeirão da loucura Arnaldo Jabor
Loucura tem época. No fim do seculo XIX, as mulheres se contorciam em ataques histéricos, pela repressão vitoriana. A paranóia se espalhou entre as duas guerras mundiais. O desespero e o absurdismo , o niilismo tomaram o mundo pensante após a Segunda Guerra, porque depois de Auschwitz tudo era possível. Qual será a loucura típica de hoje, aqui e no mundo? Aqui no Brasil, a loucura de hoje é imperceptível. Este clima geral dispersivo, pagodeiro, gargalhante, desreprimido parece liberdade, mas não é. Já escrevi aqui sobre isso, mas volto ao assunto pois a novela do Gilberto Braga, "Celebridade", está atualizando o tema. Também, como dizia Nelson Rodrigues, o que seria de mim sem minhas repetições?
Temos hoje liberdade para desejar o quê? Bagatelas, mixarias. Uma liberdade vagabunda, para nada, para rebolar o rabo nas revistas, uma liberdade "fetichizada", produto de mercado e até mesmo disfarçada de revoltas "de festim": êxtases volúveis, visíveis em clubbers e punks de butique. Somos livres dentro de um chiqueirinho de irrelevâncias, buscando ideais como a bunda perfeita, recordes sexuais, próteses de silicone, sucesso sem trabalho, substituição do mérito pela fama. Não precisamos fazer ou saber nada; basta aparecer. Se antes havia excesso de ideologias, hoje somos todos um bando de frívolos patetas, como crianças brincando num shopping. Esta infantilização cultural da mídia e do cotidiano se dá com o mundo entrando num parafuso de tragédias sem solução, como uma Disneylândia cercada de homens-bomba.
Já vivi vários tipos de loucura. Conheci a loucura utópica pré-64, quando achávamos que o Brasil ia virar magicamente uma grande Ipanema, o que culminou com a porrada militarista. Depois, veio o trauma grave de 68. Você podia morrer torturado, se um síndico-general do seu edifício cismasse com sua cara. O desespero da juventude, nesses anos, é irreprodutível. Só quem viveu. A mistura de angústia, drogas, misticismo, contracultura sem flores hippies, perigo de morte gerou ao menos uns sete anos de horror. Outro dia vi um filme underground da época que se passava todo dentro de um chiqueiro, com o ator comendo excrementos. Esse era o espírito do tempo... o zeitgeist de merda.
Aí, a ditadura acabou, voltou a democracia, somos livres, e então? A base de nossa piração atual é a clareza de que não dá para fazer quase nada na política. A marcha das corporações, a lógica in-humana das coisas, o determinismo das forças produtivas estão mandando em nosso destino. Tudo fica gratuito, diante da irrelevância da ação humana sobre a sociedade. A razão cínica do "pode tudo", é um disfarce para o consumo indiscriminado de produtos. As coisas já mandam em tudo, como a invasão das bolhas assassinas, num filme B de terror.
O futuro virou uma promessa de aperfeiçoamento de produtos, com uma velocidade que fez do presente um arcaísmo em processo, uma espécie de passado "ao vivo" em decomposição. A democracia em país analfabeto trouxe a fabulosa ascensão livre da cretinice nacional; viramos um grande "pagodão" e não adianta racionalizar e dizer que é "legal". Não é. É uma bosta. A literatura está dividida em best-sellers de um lado e tediosos bisnetos de Joyce, patéticos e ignorados, de outro.
As paixões passaram a durar o tempo entre duas reportagens de "Caras". O amor é um pretexto para a orgia de troca-trocas narcisistas. O casamento virou um arcaísmo careta. O sexo, uma competição de eficiência. Onde está a sutileza calma dos erotismos delicados? Onde, o refinamento poético do êxtase? Nada. No sexo, o desejo é virar máquina e atingir o desempenho perfeito, o orgasmo definitivo.
Até criticar o erro do mundo ficou ridículo. A arte ficou ridícula, inócua, pregando num deserto de instalações melancólicas que ninguém vê. O cinema virou um "titanic", um videogame, com guetos de "independentes" queixosos. Os artistas não têm mais nem o consolo do pessimismo clarividente, do absurdismo iluminista de um Beckett ou Camus. Não há esperança nem na desesperança crítica. O absurdo ficou óbvio demais para ser condenado, superou o mais terrível pesadelo surrealista.
O velho passado é um museu de inúteis curiosidades históricas. Tudo tem de ser "novo", sem tempo de envelhecer. A isso, soma-se a sensação de que as nações não controlam mais seu destino, de que somos barquinhos à deriva no mar das corporações, de que a vida é um subproduto do balanço das companhias.
E, ainda por cima, aqui no Brasil, temos a brutal resistência do atraso patrimonialista e oligárquico. O mal ficou banalizado e o bem, um luxo ridículo, quase uma vaidade, um hobby. Estamos nos acostumando a isso. Pior que a violência é o costume com a violência. Não é nem cinismo; é tédio. Há um sentimento difuso de que não podemos fazer nada, o que gera o sucesso dos evangélicos tipo Igreja Universal e o perigo de populismos fascistóides.
Restam algumas esperanças. Lá fora, se o Bush não for reeleito, se Deus quiser, poderá haver um movimento forte de autocrítica dentro dos USA e a pletora de absurdos que ele e seus homens de direita trouxeram para o mundo ficar patente e superada. A grande mentira da globalização poderá ser um movimento internacional, com as massas em busca de outros valores. Essa revisão crítica aconteceu nos anos 60/70 e poderá se repetir, se começar nos USA.
No caso do Brasil, tinha de haver um grande movimento de denúncia e combate da sordidez da indústria cultural, da exploração das superstições, dos horrores culturais que vemos nas televisões. Como? Não sei; mas não podemos continuar aceitando tudo, num conformismo cínico e individualista.
postado por Majô às 7:32 PM
Outubro 22, 2003
Oi Querida Vida, tirando umas coisinhas aqui e ali
(por exemplo: "terei a MULHER que quero" ... que não quero mulher nenhuma!!)
pra mim o M. Bandeira ainda é tão vigente, tão forte, tão atual e tão lírico ao mesmo tempo, que poderia ter escrito toda sua poesia, neste ano da graça do Senhor de 2003...
O único chato é que, acho eu, não tem Pasárgada em lugar nenhum...
Ou será que é porque eu, pelo menos, não sou amiga de nenhum rei, nem rainha, nem príncipe, nem mesmo deputado, ou vereador! Nem mesmo de líder sindical, polícia, ladrão, ou síndico do prédio...
Será que estou do lado errado da calçada??? Majô
VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA
Manuel Bandeira (1886-1968)
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização...
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
postado por Majô às 5:54 PM

postado por Majô às 5:45 PM
Outubro 20, 2003
Bem, não que eu tenha esse aspecto de "MST", ou que fume tanto... Nem uso boné!!!
Mas, estou me sentindo quase assim, enraizada neste aparelho!!!!
Portanto, deixa sair pra tomar um "ar da graça" que quem sabe a graça divina me toque!!!!
Beijo, Majô
postado por Majô às 4:02 PM
Outubro 19, 2003
Achei doce, embora o subtexto seja meio terrível!! Não adianta Querida Vida, vivemos a era Cibernética absoluta!
Digo eu, e uma pessoa assim, que nem eu, com um obsoleto Pentium II, e ainda mais, com Windows 95 e 32 Ram de memória apenas... pode se habilitar a "baixar" mais um filho??????
Pensarei neste domingo, está ruim o tempo mesmo!
Beijão, Majô
postado por Majô às 3:46 PM
Viu Querida Vida, como a teoria quase sempre é confirmada pela prática????
Foi só dar uma melodramática (bem no meu estilo) chamadinha de atenção, que 3 dos que estavam na moita saltaram!!!!
Tá, 3 é pouco, mas esses são bons, viu?? E o resto, acordará, mais cedo ou mais tarde!
Obrigada Luciene, Luzinha e Eduardo, amigos, e voltem sempre... Senão, a Querida Vida vai murchar por falta de diálogo...
Beijão, Majô
postado por Majô às 1:00 AM
Outubro 18, 2003
Puxa Querida Vida, estamos meio abandonadas, você e eu??!!!
Será que ninguém gosta da gente, digo, gostar de verdade, aquele gostar de se interessar, de participar, de ouvir e falar...
Não sei se é isso, ou é que o Blogger tá dando crepe, que nem meu telefone... Ninguém liga, e quando algum cobrador faz isso, o telefone (solidário, ele...) se nega a aceitar, ou simplesmente dá ocupado!!!
Sei não... Tô sentindo falta das amigas, cadê a Luzinha, a Mel, a Luciene, a Mari, a Raffa, La Rubia en el avión, a Francezinha, a Clodet de Mar del Plata???
E os meninos, cadê o Mané Garrincha (é o do Blog, não faço sessão mediúnica ainda...) o Dimas, o Leonardo, o Diego, o Fábio, o Eduardo meu colega em filosofia, o escambau!!!????
TÔ AQUI POVO, aliás, TAMOS AQUI POVO... a QUERIDA VIDA E EU!!!!
Majô, vulgo: Maior Abandonada... e carente!
postado por Majô às 12:30 AM
Outubro 16, 2003
Querida Vida, olha aqui, achou-se por fim, A TECLA QUE FALTAVA !!!!!
Pelo menos, no meu computador...

postado por Majô às 8:59 PM
Meninas, não desistam, um dia a pergunta:
"Como é que você concilia a carreira com a vida familiar?"
também será feita aos homens...
Majô... num começo de verão que tá lascado!!!!
postado por Majô às 8:55 PM
É preciso dizer mais alguma coisa????
ACORDA POVO!
Vamos mudar o mundo hoje, e amanhã mudar o mundo mudado...
Beijo, Majô
postado por Majô às 1:40 AM
Outubro 15, 2003
"O pior analfabeto é o analfabeto político. Não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos. Não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do pão, da farinha, do sapato, dos remédios, depende de decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que tem orgulho e estufa o peito pra dizer, em alto e bom som, que odeia política. Não sabe que, da ignorância política nascem a prostituta, o ladrão, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político corrupto, mequetrefe e lacaio das empresas nacionais e multinacionais. Bertolt Brecht
Tô aproveitando Querida Vida, que parece que tá dando pra postar...
E dá-lhe pau! Meu espírito de 68 está vindo à tona com força total!! Uma vez rebelde, sempre rebelde!
Majô (sem beijo e pouca esperança...)
postado por Majô às 3:09 PM
Aí Querida Vida, acho que é isso mesmo,sem querer ser pessimista, longe de mim... pelo menos, é o que parece!!!!
E mudando de saco pra mala (ou de saco pra sacão!!!!) não tá saindo nada aqui. Os post não aparecem, e nem sei se a crônica do LF. Veríssimo que postei segunda apareceu, porque não tenho podido nem entrar!!!!
Esta postagem de agora é meio teste, meio desabafo... Vamos ver no que dá... Mas como aqui no Blogger não tem "editor responsável" o negócio é chorar no quartinho dos fundos...
Um beijo (esperançado) Majô
postado por Majô às 2:39 PM
Outubro 13, 2003
GALINHAS
Luis Fernando Veríssimo
Atenção: parábola. Numa país chamado, digamos, Brasil, havia um grande criador de galinhas chamado, digamos José. Apesar do tamanho da sua criação, José era um homem simples. E um dia José começou a notar que estavam roubando suas galinhas. Todas as manhãs chegava ao galinheiro, contava suas galinhas e dava falta de uma. Alguém estava entrando no galinheiro durante a noite e levando suas galinhas uma por uma. Um compadre do José o aconselhou a contratar um vigia. A função do vigia era a de passar a noite acordado, vigiando o galinheiro. Mas as galinhas continuaram a ser roubadas. Só que agora, em vez de dar falta de uma galinha todas as manhãs, José dava falta de duas. E o vigia jurava que tinha passado a noite acordado mas não vira ninguém entrar no galinheiro.
José era um homem de boa vontade mas desconfiou que o vigia fizera um acordo com o ladrão. Para não denunciá-lo ganhava uma galinha. O ladrão roubava uma galinha para ele e outra para o vigia. Seria isso? Aconselhado pelo compadre, contratou um vigia para vigiar o vigia. Sua função era passar a noite acordado para ver se o ladrão e o vigia tinham mesmo feito um acordo para dividir as galinhas roubadas. E claro, impedir o roubo e a divisão. Mas as galinhas continuavam a ser roubadas. Só que agora, em vez de dar falta de duas galinhas todas as manhãs, José dava falta de três. O vigia jurava que não vira ninguém. O vigia do vigia jurava que não vira nada. José era um homem ingênuo mas concluiu que o ladrão fizera um acordo com os dois. Dava uma galinha para cada um e levava a sua.
O compadre do José disse que não adiantaria contratar um vigia do vigia do vigia. Eram todos amadores, ganhavam pouco, a tentação de aceitar propina era grande demais. Aconselhou José a recorrer a profissionais. A uma firma de vigilância, das que davam nota fiscal. E a vigilância do galinheiro passou a ser feita por três duplas com equipamento de última geração, inclusive câmaras infra-vermelhas e binóculos que viam no escuro, revezando-se em turnos de 4 horas cada. Seis profissionais todas as noites, a noite inteira, para vigiar os vigias e o galinheiro. Mas, as galinhas continuavam sendo roubadas. Só que, agora em vez de dar falta de três galinhas todas as manhãs, José dava falta de doze. O vigia jurava que não vira ninguém. O vigia do vigia jurava que também não vira nada, e o relatório da equipe da firma de vigilância era: ¿tudo normal¿.
José era um homem de pouco estudo, mas não tardou em fazer as contas e chegar a uma explicação. O ladrão fizer mais um acordo: dava uma galinha para o vigia, outra para ao vigia do vigia, uma para cada um dos 6 membros da equipe de vigilância e mais 3 para cobrir os custos da firma com o equipamento de último tipo. E ficava com a sua.
Foi quando José ouviu do compadre a sugestão: por que ele não recorria ao governo? ¿Ao governo?¿ disse José. ¿Claro¿ disse o compadre. O governo o ajudaria. Para isso José pagava seus impostos, para ter ajuda do governo. E o compadre passou a contar ao José tudo o que o governo podia fazer por ele. O governo tinha muita gente. Tinha viaturas, tinha fiscais, tinha polícias, tinha uma estrutura enorme. Precisava dizer mais? Tinha até mesmo uma cidade inteira, quase que só dele, chamada, digamos, Brasília. José deveria recorrer ao governo pra vigiar seu galinheiro. E José que não era bom pensador, mas era um homem lógico, pensou no que o ladrão já estava tendo de roubar para honrar seus acordos e exclamou:
- Tá doido? Aí mesmo que eu perco todas as galinhas de uma só vez!
EPÍLOGO
José dispensou a firma de vigilância, o vigia do vigia, e o vigia. Ficou ele mesmo de guarda no galinheiro, e quando o ladrão chegou no meio da noite, lhe fez uma proposta. A cada galinha que roubasse, o ladrão lhe daria uma, até o galinheiro ficar vazio. E com sua parte nos roubos, José começou outra criação de galinhas.
Na Suíça.
postado por Majô às 11:25 AM
Pois é Querida Vida, essa mesma HUMANIDADE que hoje festejou o Dia da Criança, que amanhã AINDA LEMBRE , e não nos aliciem, molestem, droguem, maltratem, humilhem, nos faltem, fotografem, desrespeitem, façam passar fome, matem, mutilem, desonrem, vendam, comerciem, usem, escravizem... se transformando de repente em PESSOAS de quarta!
Um beijo, ah, sim, e FELIZ DIA DA CRIANÇA!!! Majô
postado por Majô às 1:51 AM
Outubro 10, 2003
Pois é, Querida Vida, não é que tem tudo a ver???????
Comigo, com Buenos Aires, com a vida, com os SERES HUMANOS... com todos nós!
Hoje é curtinho, tô cansada que nem sei!
Beijo, Majô
postado por Majô às 10:43 PM
Outubro 7, 2003
Acho Querida Vida, que esta vista da Casa Rosada, a sede do governo argentino, com sua Plaza de Mayo sendo testemunha de todos os lícitos e ilícitos aconteceres, é o marco adeqüado a este poema de Juan Gelman com que encerro as LINHAS DO REGRESSO de hoje...
MI BUENOS AIRES QUERIDO
Cedron -- Gelman
Compuesto en 1962
Sentado al borde de una silla desfondada
mareado, enfermo, casi vivo,
escribo versos previamente llorados
por la ciudad donde naci.
Hay que atraparlos, también aqui
nacieron hijos dulces mios
que entre tanto castigo te endulzan bellamente.
Hay que aprender a resistir
Ni a irse ni a quedarse,
a resistir,
aunque es seguro
que habra más penas y olvidos....
postado por Majô às 11:56 PM
MI BUENOS AIRES QUERIDO
Letra de A. LE PERA Música de C. GARDEL
"Mi Buenos Aires querido,
cuando yo te vuelva a ver,
no habrá más penas ni olvido...
El farolito de la calle Sarandì
fue el centinela de mis promesas de amor,
cerca del puerto una noche yo la vi
a mi pebeta luminosa como un sol,
Hoy que la suerte quiere que te vuelva a ver,
Buenos Aires de mi único querer,
oigo la queja de un bandoneón,
y se emociona poco a poco el corazón..."
postado por Majô às 11:40 PM
Querida Vida, desde um cantinho escuro do Café Tortoni (ícone e clássico de Buenos Aires, uma das grandes instituições em homenagem à Cultura del Café) mando as primeiras LINHAS DO REGRESSO .
Esta fantástica cidade, apesar dos pesares, dos maus e corruptos governos, da miséria, do desemprego, do panelaço, "dos piqueteiros", do "corralito", da venda informal e insuportável de absolutamernte TUDO em todos os lugares... continua sendo o grande deslumbramento da América Latina.
Foram mesmo dias de encanto! Passeei, caminhei, andei de metrô, comi delícias, tomei intermináveis cafés regados a muito papo, conheci pessoas incríveis, outras nem tanto, fui paquerada, ignorada, escutada, misturei-me à multidão anônima, participei dos Fóruns, do Encontro de Teatro do qual fui participar, assisti peças de teatro, uma horrível- brasileira adaptada à realidade portenha em tons de comédia ligeira, mais parecia porno-chanchada pra mim!!!!!! Outra fantástica, emocionante, simples, tocante, bem realizada, "Por el correo de las brujas" com 4 excelentes atrizes chilenas...
postado por Majô às 11:34 PM
Outubro 2, 2003
HOLA QUERIDA VIDA!!! Desde Buenos Aires con amor...
Sentiu minha falta?? Ah, vai, diz que sim!!!
Todavía no he vuelto! Ya contaré a partir del 6 de octubre!
Me aguardem!! Beijos, Majô!!
postado por Majô às 1:28 PM
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